quarta-feira, 16 de outubro de 2013

São Vicente tenta aproveitar moda para ser capital do stand up paddle




O Brasil é o país do futebol. Um município do litoral sul de São Paulo, porém, tem um esporte bem diferente como grande aposta para o próximo verão. Com uma série de iniciativas, São Vicente quer se transformar na capital nacional do stand up paddle (SUP).
A prática tem crescido nas praias brasileiras desde o início de 2012. Com um impulso de adeptos famosos, o número de praticantes disparou no ano passado.
A aposta de São Vicente é que esse incremento seja ainda maior no próximo verão. "Por ser uma situação nova e estarmos em uma cidade de orla, é um esporte que todo mundo quer fazer no próximo verão", disse Alexandre Morais Rodrigues, secretário municipal de Esportes de São Vicente.
Além da moda, um argumento favorável à disseminação do stand up paddle é a facilidade. O esporte é baseado em uma prancha e em um remo, que é utilizado para controlar a direção. Professores dizem que 15 minutos de aula, em média, são suficientes para um aluno conseguir ficar em pé na plataforma.
"Percebemos que seria uma boa para quem não tinha aptidão ou se sentia velho para o surfe. O surfe exige certo domínio, e o stand up é mais suave para aprender. É um esporte de águas calmas e de aprendizado muito fácil", avaliou Morais Rodrigues.
A despeito de a prática do stand up paddle ser mais antiga, o uso da prancha com remo começou a se popularizar no Havaí durante a primeira metade do século 20. Nessa época, instrutores de surfe da região usavam o meio para acompanhar e fotografar as pessoas que pegavam ondas.
No Brasil, os primeiros registros do stand up paddle também remetem à metade inicial do século passado. A "moda" e as competições, porém, são bem mais recentes no país.
O primeiro Campeonato Brasileiro de stand up paddle race, modalidade que promove corridas com o uso do equipamento, foi realizado em 2011. A confederação brasileira de SUP foi fundada apenas em 2013.
Em São Vicente, o stand up paddle já faz parte de um projeto de escolas de esporte que a prefeitura oferece à população. Atualmente, os centros mantidos pelo poder público têm 26 modalidades e abarcam 17 mil alunos.
O número de praticantes de stand up paddle nessas escolinhas teve aumento de 100% no último ano. O município hoje tem uma lista de espera para a modalidade.
O principal limitador para o stand up paddle nas escolinhas municipais é a quantidade de pranchas. A Secretaria de Esportes tem 15 equipamentos, mas planeja adquirir mais para o próximo verão. Cada conjunto para a prática da modalidade custa algo em torno de R$ 4 mil.
As escolinhas municipais, contudo, não encerram o esforço de São Vicente para ser a capital nacional do SUP. O município paulista também pretende criar um roteiro de eventos da modalidade. Em novembro deste ano, a Praia do Gonzaguinha receberá a primeira edição do Campeonato de Stand Up Paddle Tri FM.
"Nós fizemos um acordo para duas etapas. Esses eventos fazem parte da ideia de transformar São Vicente em uma cidade que incentiva demais o stand up", disse Diogo de Barros Souza, coordenador de marketing da Tri Esportes. "É uma modalidade que tem crescido muito, até por não precisar de ondas ou de um local adequado ao surfe. Lá fora já há circuitos bem fortes", completou.
As etapas do campeonato em 2013 serão realizadas nos dias 2 e 30 de novembro. A ideia da organização é reunir 260 competidores em um percurso de três quilômetros.
Em 2014, São Vicente pretende instituir um calendário ainda mais intenso de atividades relacionadas ao SUP. A ideia da cidade é ter pelo menos sete eventos da modalidade no próximo ano.
O primeiro deles, já confirmado, é o CarnaSUP, que é realizado durante o Carnaval e conta com participantes fantasiados. "As condições da praia, o trabalho, as parcerias e a divulgação são as bases que estamos usando aqui para aumentar o número de praticantes de stand up", explicou o secretário municipal de Esportes.
Outra proposta da prefeitura é criar pontos de experimentação do stand up paddle. A ideia é espalhar equipamentos e instrutores pela orla da cidade no próximo verão a fim de apresentar o esporte a pessoas que nunca praticaram.
"Imaginamos o seguinte: vem para cá uma família, com um pai, uma esposa e um filho, e os três nunca andaram de stand up. Eles têm a oportunidade de praticar gratuitamente, gostam e compram uma prancha para voltar nos fins de semana seguintes", projetou Alexandre Morais Rodrigues. "Os eventos de qualidade chamam o turista e o praticante. As pessoas podem escolher São Vicente por causa do stand up. Achamos que podemos ser, sim, a capital do stand up", finalizou.

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