domingo, 3 de março de 2013


Antes do Mundial, skatistas se aventuram no Parque de Madureira


Entre profissionais, amadores e fãs, guarda municipal - skatista nas horas vagas - faz a segurança do local e promove a interação entre as pessoas



Por Ana Carolina FontesRio de Janeiro

Lugar de samba até de manhã e ginga em cada andar, cercado de luta e suor, como diz o mestre Arlindo Cruz, Madureira também se transformou em um parque de diversões para os amantes do esporte. Antes da estreia na etapa carioca do Mundial de Skate Vertical, de sexta-feira a domingo, brasileiros e estrangeiros resolveram conhecer o "oásis verde" da Zona Norte do Rio. Eles se aventuraram pelas rampas e pelos obstáculos de street, conheceram skatistas locais e fizeram a alegria de crianças, que veem muitos deles como ídolos. É o caso de Andy Macdonald, lenda da modalidade e personagem de diversos jogos de videogame, e Pedro Barros, jovem de 17 anos que vem dominando o circuito mundial.
Pedro Barros anda de skate no Parque de Madureira no Rio (Foto: Fernando Sotello/AGIF)Pedro Barros faz manobras radicais no Parque de Madureira, Zona Norte do Rio (Foto: Fernando Sotello/AGIF)
Recordista de medalhas nos X Games, com 22 no total, sendo oito de ouro, o americano Andy Mac deu um show de manobras no Parque de Madureira, um centro de lazer que ainda conta com playgrounds, academia ao ar livre e quadras de vôlei, basquete e futebol.
- É muito bom estar de volta ao Rio de Janeiro, especialmente, com este novo parque, um presente para a comunidade. Venho ao Brasil há 20 anos e nunca tinha visto algo parecido, as cascatas, o playground, a ciclovia e, é claro, esse parque fantástico para o skate, com boa iluminação. Na próxima vez que eu vier, vou dar uma passadinha por aqui, é um lugar para toda a família - contou o veterano de 39 anos, terceiro colocado da etapa carioca do Mundial de Vertical, no ano passado.
A presença do astro surpreendeu Patrício Nogueira, de 14 anos, que deu os primeiros passos no esporte depois da inauguração da área de lazer, no subúrbio carioca.
- É maneiro andar com o cara do videogame, o Andy é muito bom. Sou fã do Pedro Barros também, nem acredito que ficamos lado a lado no bowl. Sou novo no skate, comecei no ano passado e acredito que quanto mais parques forem construídos, mais crianças vão começar no esporte - disse Patrício.
Andy Macdonald dá autógrafo para Patrício Nogueira no Parque de Madureira skate (Foto: Ana Carolina Fontes)Andy Macdonald dá autógrafo para Patrício Nogueira
no Parque de Madureira (Foto: Ana Carolina Fontes)
Nos Estados Unidos, por exemplo, alguns parques, conhecidos como Woodwards, se tornaram um celeiro de atletas após a inclusão de esportes radicais em seu programa de atividades. O primeiro camping foi aberto no verão de 1970 apenas para a ginástica artística, com toda a infraestrutura necessária. Em 2008, os donos dos parques viram em modalidades como o skate e o BMX uma opção para atrair os jovens. Foram construídas rampas de todos os tipos (de minimegarrampa a pistas de terra), além de corrimãos e obstáculos que simulam o ambiente urbano. E foi assim que surgiram fenômenos, como Mitchie Brusco e Jono Schwan, destaques do Mundial no Rio.
- O surgimento dos parques nos Estados Unidos tem tudo a ver com a descoberta dos talentos. Temos as melhores instalações ao nosso dispor, diferentes tipos de rampas e tecnologias. Costumo ir muito aos Woodwards, e percebo a minha evolução - destacou Jono, vice-campeão mundial em 2012, desbancando feras como Bob Burnquist e Sandro Dias.
Guarda municipal e skatista, Daniel é destaque em Madureira
Daniel Firmino skate guarda municipal parque de Madureira (Foto: Ana Carolina Fontes)Guarda municipal e skatista,Daniel Firmino posa no
Parque de Madureira (Foto: Ana Carolina Fontes)
Em meio a skatistas profissionais e amadores, um figura chama a atenção no Parque de Madureira. Guarda municipal, Daniel Firminino nutre há 15 anos uma paixão pelo skate. Transferido após um incidente envolvendo um guarda, que agrediu um jovem no local, em julho de 2012, ele alia o trabalho ao esporte. Fardado, Daniel cuida da segurança pública e promove a integração social, sem deixar de se arriscar pelas pistas. Em alguns momentos, vira até instrutor de crianças e adolescentes.
- Conheço 80% dos skatistas que vêm ao parque e faço amigos todos os dias. Moro em Campo Grande, mas estou sempre em Madureira, mesmo quando estou de folga. Costumo dizer que sou um skatista que se tornou guarda. Sou autorizado a andar de skate de uniforme, é uma forma de interagir com todo mundo - contou o guarda, que vê o espaço como lugar ideal para formar atletas de alto nível. 
Confira a programação completa da etapa carioca do Mundial de Vertical:
Sexta (treino e classificatórias)
11h - 13h - Treino livre
13h - 13h45m Bateria 01 - Treino
13h45m - 14h30m Bateria 02 - Treino
14h30m - 15h15m Bateria 03 - Treino
15h20m - 16h10m Bateria 01 (12 minutos aquecimento + 3 voltas/13 paredes)
16h10m - 16h50m Bateria 02
16h50m - 17h30m Bateria 03
17h30m - 18h30m Treino - 12 atletas pré-qualificados
Sábado (semifinais)
09h - 10h - Treino Livre
10h - 10h40m Bateria 01 - Treino
10h40m - 11h20m Bateria 02 - Treino
11h30m - 12h20m Bateria 01 (15 minutos aquecimento + 3 voltas/13 paredes)
12h25m - 13h15m Bateria 02 (15 minutes aquecimento + 3 voltas/13 paredes)
13h30m - 17h - Treino Livre para os finalistas
Domingo (final) - Esporte Espetacular
8h30m - 9h45m Treino
10h - 10h45m Final
Ex-musa do bodyboard, Dani Freitas vive rotina pesadae brilha no Figure





Brasileira compete pelos Estados Unidos em variação do fisiculturismo, que exige músculos, corpo proporcional e feminilidade, sem perder o sorriso

Carol Barcellos e Gabriel FrickeRio de Janeiro




Mãe de dois filhos, bicampeã mundial de bodyboard, em 1996 e 1997, e ex-modelo, a carioca Daniela Freitas brilha agora no fisiculturismo. Aos 39 anos, ela atua desde agosto como profissional na categoria Figure, em que a atleta tem que ser musculosa, mas manter o corpo proporcional e, principalmente, não perder a feminilidade. Nos torneios, ela tem apenas 20 segundos para mostrar tudo isso e convencer os jurados.

E a preparação é dura. São duas horas de malhação pesada, de segunda a sábado. Descanso? Só no domingo. O programa de Dani Freitas consiste em exercícios aeróbicos, aparelhos com altas cargas de peso, alongamentos e saltos. Como complemento, ela toma aminoácidos, antes e depois das atividades. A alimentação também é regrada. São seis refeições diárias, de três em três horas. Comer o que der vontade, só uma vez por semana.
- Quando a fome bate, não tem essa de 'vamos esperar um poquinho'. Eu tenho que comer. A dieta não é boa, mas malhar... Ah, me sinto bem, me sinto feliz - comentou a simpática carioca.
Daniela Dani Freitas (Foto: Gabriel Fricke)Dani ainda pega onda, mas apenas como hobby
(Foto: Gabriel Fricke)
Quem pensa que Dani vive para o Figure, engana-se. Além de treinar, ela leva uma rotina bem pesada no Havaí. Com dois filhos e sem empregada, é ela quem cuida da casa. No domingo, seu dia de descanso da malhação, ela passa quatro horas cozinhando as refeições que terá de comer durante a semana.
- Acordo, levo para a escola e volto. Fico duas horas malhando. É isso. Aí eu tenho que fazer a comida de casa, limpar banheiro. Cinderela! Limpo a casa, faço comida, cuido das crianças, faço meu treino e trabalho - revela Dani, que ainda dá aulas para mulheres em uma academia.

A carreira no Figure começou quando Dani recebeu um convite para posar para uma revista masculina, em 2006. Para ela, seu corpo era muito magro. Por isso, decidiu que queria ficar mais forte para sair bem.
Eu vi que, quando comecei a malhar, meu bumbum aumentou, meu ombro também"
Dani Freitas
- Eu vi que, quando comecei a malhar, meu bumbum aumentou, o ombro também. Vi umas mudanças que eu gostei. Meus amigos falaram: por que você não compete no Figure? E eu falei: o que eu tenho que fazer? É só fazer uma dietinha, treinar um pouco mais forte - comentou a atleta, que atualmente mora no Havaí e é casada com o ex-bodyboarder Lanson Ronquilio.
O cabelo mudou. Do loiro queimado de praia para o preto que, segundo ela, é a preferência dos jurados nas competições. O corpo de menina, da época do bodyboard, deu lugar aos músculos. Mas o sorriso, que ficou célebre na época em que era musa na praia e brilhava na geração que ainda teve a jornalista Glenda Koslowski e as irmãs Nogueira, continua o mesmo.

- Minha marca registrada no bodyboard era o sorriso. Eu pegava onda rindo, me zoavam, mas enfim... Levei isso para o palco também - garantiu a morena.
Montagem - Daniela Dani Freitas (Foto: Editoria de arte)À esquerda, Dani sorri na época como bodyboarder. À direita, mostra concentração e corpo musculoso de competidora do Figure (Foto: Editoria de arte)
Apesar disso, as reclamações sobre seu corpo de fisiculturista são muitas. Dani afirma que os amigos do Brasil, os fãs nas redes sociais, o marido e até ela mesma preferem o visual de bodyboarder. Mesmo assim, se diz feliz com a mudança.
- Sempre que estou aqui no Brasil, eu recebo reclamação. Recebo muita reclamação pelas redes sociais. Eu acho que até eu prefiro a Dani bodyboarder. Eu acho assim, eu mudei muito, o visual é muito diferente. Mas tem coisas que eu gosto: um pouquinho mais de bumbum, as costas e o ombro. Eu estou feliz assim, mas se tivesse que escolher o que acho mais bonito... Acho que é mais natural a mulher não ser tão dura - concluiu.

domingo, 26 de agosto de 2012

Convidado no Taiti, brasileiro tira 9,87 no último segundo e elimina Slater 
Ricardinho dos Santos se garante nas oitavas com virada na regressiva. Americano se despede na terceira fase da etapa, quinta da temporada 

Por GLOBOESPORTE.COM Teahupoo, Taiti 

Na última onda, no último segundo, um último suspiro. E um tubo nota 9,87 para eliminar o hendecacampeão mundial de surfe. Ricardinho dos Santos, convidado da etapa que entrou na chave principal depois de vencer a triagem, teve uma bateria dos sonhos em Teahupoo, a praia dos crânios quebrados, no Taiti. Já Kelly Slater, um dia de pesadelo. 
Vice-líder do ranking mundial e tetra da etapa taitiana, quinta do Circuito Mundial, Slater liderou toda a bateria deste domingo, mas levou a virada na contagem regressiva. Ele se despediu na terceira fase, na 13ª colocação. 
 Ricardo dos Santos entrou na chave principal depois de vencer a triagem (Foto: ASP) O americano abriu a bateria com um 9,17. Ricardinho deu o troco com 7,83. A sete minutos do fim, Slater ganhou 7,27 e, três minutos depois, o brasileiro conseguiu seguir na briga, com 8,47. Precisava de 7,89 para virar. 
O cronômetro estava zerando, mas Ricardinho não desistiu. Pegou uma esquerda, entrou em um tubo e nem precisou de muito para saber que tinha conseguido a virada: 9,87. - Eu estava apenas esperando por uma outra chance. A onda foi tão boa que pude fazer um nove e pouco. Isso me dá muita confiança para as outras fases - disse Ricardinho.

Baterias da terceira fase: 
1: Mick Fanning (AUS) 14,17 x 8,34 Fredrick Patacchia (HAV) 
2: Julian Wilson (AUS) 13,83 x 9,37 Adrian Buchan (AUS) 
3: Taj Burrow (AUS) 14,04 x 11,00 Kai Ottonn (AUS) 
4: Owen Wright (AUS) 18,30 x 17,50 Miguel Pupo (BRA) 
5: C.J. Hobgood (EUA) 18,30 x 15,17 Michel Bourez (TAI) 
6: Ricardo dos Santos (BRA) 18,34 x 16,44 Kelly Slater (EUA) 
7: Joel Parkinson (AUS) x Taylor Knox (EUA) 
8: Jeremy Flores (FRA) x Heitor Alves (BRA) 
9: Josh Kerr (AUS) x Damien Hobgood (EUA) 
10: John John Florence (HAV) x Brett Simpson (EUA) 
11: Gabriel Medina (BRA) x Alejo Muniz (BRA) 
12: Adriano de Souza (BRA) x Kieren Perrow (AUS)

Bob Burnquist dá show, consegue maior nota e é tetra da MegaRampa 



Skatista brasileiro tira 85.33, supera os pródígios americanos Mitchie Brusco, de 15 anos, e Jagger Eaton, de apenas 11 anos, e mantém reinado Por Ana Carolina Fontes Rio de Janeiro 33 comentários Corajoso sim, insensível ao perigo jamais. Apesar de viver encarando de frente rampas de até 20 metros, equivalentes a um prédio de nove andares, como a que foi montada no Sambódromo do Rio de Janeiro, para se sustentar, Bob Burnquist não esconde que sente medo cada vez que sobe no seu skate. Mas como todo craque, o brasileiro radicado nos Estados Unidos usa aquele friozinho na barriga que antecede os momentos decisivos para tirar um coelho da cartola. Neste domingo, não foi diferente. Com a vantagem de ser o último a se apresentar para um público de aproximadamente 25 mil pessoas, Bob Burnquist conseguiu um 85.33 numa manobra a quase 70km por hora para vencer pelo quarto ano consecutivo e manter seu reinado na MegaRampa. 

Não tenho palavras para definir essa vitória. Nas é fácil competir aqui, todo ano tenho que trazer manobra novas. Os caras estão andando muito bem. São coisas aterrorizantes para se fazer numa MegaRampa e estar em primeiro lugar na minha cidade é demais. Conquistei muitas coisas e sou uma pessoa realizada, mas vencer no Rio de Janeiro é uma sensação diferente. Posso morrer feliz - comemorou o tetracampeão.

Aos 15 anos, Mitchie Brusco confirmou a fama de novo fenômeno do skate mundial e chegou em segundo lugar com uma nota de 66.99. Apesar da derrota para Bob como no ano passado, o adolescente americano deixou a rivalidade de lado para tietar o ídolo. 

 O Bob é maravilhoso. Eu não consigo entender como ele consegue realizar todas essas manobras. Não estava no meu melhor dia hoje e não consegui executar as manobras mais complexas, como os 900, mas me diverti muito e esse era meu objetivo - afirmou o jovem de Washington, que prometeu aprimorar seu português. - Eu já faço algumas aulas na minha escola e espero voltar para o Rio de Janeiro o mais rápido possível. Adoro essa cidade. 

 A outra revelação da modalidade, Jagger Eaton, de apenas 11 anos, também fez bonito e terminou na quarta colocação, com 57.33. Entre os prodígios americanos, estava o australiano Jake Brown, protagonista de uma das piores quedas da história da Megarampa, em 2007, apenas dois pontos atrás de Brusco. Em quarto, chegou Elliot Sloan, que marcou 51.99, seguido de Lincolm Ueda, que chegou em último sem conseguir completar nenhuma volta.

Confira a pontuação da final: 
Bob Burnquist (BRA) - 85.33 pontos 
Mitchie Brusco (EUA) - 66,99 
Jake Brown (AUS) - 64,99 
Jagger Eaton (EUA) - 57.33 
Elliot Sloan (EUA) - 51.99 
Lincoln Ueda (BRA) - 46.66

terça-feira, 31 de julho de 2012



Prodígios americanos de 12 e 15 anos estão confirmados na MegaRampa
Jovens Tom Schaar e Mitchie Brusco virão ao Rio para a quarta edição do evento, além de Andy Mac, Elliot Sloan, Jake Brown e Pierre-Luc Gagnon

Por  GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro












Com um 1080º, Tom Schaar superou Bob na final
da mini mega nos X-Games Ásia (Foto: Divulgação)















Quem será capaz de por fim ao reinado de Bob Burnquist na MegaRampa 2012? Se depender da lista de convidados para a quarta edição do evento mais radical do skate mundial, o brasileiro terá grandes dificuldades para manter a hegemonia na pista de 112 metros comprimento e 30m de altura, que pela primeira vez será armada no Rio de Janeiro. Duas novas sensações da modalidade, os americanos Tom Schaar, de 12 anos, e Mitchie Brusco, de 15, já confirmaram presença no evento, que será disputado no Sambódromo carioca, nos dias 25 e 26 de agosto.
Além dos dois, a legião estrangeira também vai contar com o octacampeão mundial de vertical, Andy Macdonald, o também americano Elliot Sloan, o australiano Jake Brown, além do canadense Pierre-Luc Gagnon, o PLG, dono de nada menos do que 15 medalhas nos X-Games. O time brasileiro também virá forte ao Rio, com Bob, Lincoln Ueda, Edgard Pereira, Rony Gomes e Ítalo Penarrubia.
Já a competição do BMX terá Kevin Robinson, Chad Kagy, Morgan Wade, Anthony Napoliton, Steve McCann, Vince Byron e Zach Warden.
Em abril desse ano, Tom se tornou o primeiro skatista da história a completar a manobra 1080º (três giros no ar) quando treinava em uma pista na Califórnia. No final do mesmo mês, o americaninho de 12 anos voltou a surpreender na final da mini megarrampa dos X-Games Ásia ao acertar o primeiro 1080º em uma competição. Com a manobra, ele conquistou a medalha de ouro no evento, deixando Bob em segundo, com Rony Gomes completando o pódio.
Em 2011, Brusco foi o nome da terceira edição da MegaRampa, em São Paulo, ao executar três vezes o 900º e terminar a competição em segundo, atrás apenas de Bob. O americano de 15 anos voltou a ficar na cola do brasileiro na disputa dos X-Games desse ano, no mês passado, e quase impediu a conquista da nona medalha de ouro do brasileiro.



Mitchie Brusco levantou a torcida durante a MegaRampa 2011, em São Paulo (Foto: Luiz Doro / Divulgação)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Temporal cancela final do Mundial de Skate Vertical, e Burnquist leva o título

Chuva chegou a parar, mas rampa não oferecia segurança para os atletas. Resultado da semifinal passa a valer como o definitivo da etapa do Rio

Por GLOBOESPORTE.COMRio de Janeiro

 
 



O temporal que atingiu o Rio de Janeiro na manhã deste domingo cancelou a final da etapa carioca do Mundial de Skate Vertical, na pista montada na Praça do Ó, na Praia da Barra da Tijuca. O início estava marcado para as 10h (de Brasília), mas o forte vento e a água empoçada nos cantos deixou a situação insustentável. A chuva chegou a parar, mas o half pipe não oferecia mais condições de segurança para a realização das voltas decisivas. Com isso, a organização deu o título ao brasileiro Bob Burnquist, que teve o melhor desempenho das semifinais disputadas no sábado.
Bicampeão da etapa carioca, o brasileiro Marcel Bastos não participou das semifinais porque já estava pré-classificado com a oitava vaga. Como ele não andou neste domingo, ele passará a pontuar em dobro na próxima etapa do Mundial de Skate Vertical, que será disputada na China. O inglês Paul Luc Ronchetti ficou com o vice-campeonato e o americano Andy MacDonald completou o pódio no Rio de Janeiro com a terceira posição.
- Não havia condições de a final acontecer. Mesmo assim, como o nível das semifinais foi muito alto, acho que o resultado acaba se justificando. Já vivi situações parecidas em outros campeonatos e o procedimento é sempre o mesmo - disse Burnquist.

Mundial de sakte vertical no Rio de Janeiro atrasado pela chuva (Foto: Alexandre Durão / GLOBOESPORTE.COM)
Final da etapa do Mundial de Skate é atrapalhada pela chuva (Foto: Alexandre Durão / GLOBOESPORTE.COM)
Confira o resultado final da etapa carioca do Mundial de Skate Vertical:
1 - Bob Burnquist (BRA) - 89,33
2 - Paul Luc Ronchetti (ING) - 88,33
3 - Andy MacDonald (EUA) - 87,33
4 - Pedro Barros (BRA) - 87,00
5 - Mitchie Brusco (EUA) - 86,33
6 - Sandro Dias (BRA) - 86,00
7 - Dan Cezar (BRA) - 85,33

sábado, 3 de março de 2012

Marca vitoriosa: parceria entre pai e filho vira fonte de títulos para o Brasil

Com o apoio de Andre, Pedro Barros se transforma na grande sensação do skate nacional. Jovem de 16 anos busca lugar de destaque no Rio Vert Jam

Por Breno DinesRio de Janeiro
Do alto do half-pipe armado na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, Pedro Barros é aplaudido de pé após executar a melhor apresentação das eliminatórias no Mundial de Skate Vertical do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira. De punhos cerrados, o catarinense de 16 anos de idade comemora, exibindo o símbolo da parceria que o levou àquele momento: uma tatuagem que apenas ele e o pai, Andre, marcaram na mão para eternizar a relação que tem sido a fonte do sucesso dessa sensação do esporte brasileiro.

Pedro Barros e seu pai skate  (Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)Pedro e Andre Barros exibem as suas paixões: o skate e a família (Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)
 
"Barros RTMF". As tatuagens que os dois mostram na foto acima são uma homenagem à família e ao lugar no qual tudo começou e ainda acontece: o bairro Rio Tavares, onde fica a casa dos Barros em Florianópolis.
- Começamos a andar juntos, quando o Pedro tinha um ano de idade. Eu já pegava onda, mas passei a praticar o skate por causa dele. O tempo foi passando, ele evoluía muito rápido, mas não tinham pistas de skate na cidade. Então resolvemos construir um bowl para ele no nosso terreno - explicou Andre.

Pedro Barros bowl florianopolis (Foto: Divulgação)Em casa, Pedro decola no bowl (Foto: Divulgação)
 
Com a pista em forma de uma piscina oval no quintal de casa, a evolução foi ainda mais rápida. Vieram inúmeros títulos em campeonatos amadores até Pedro completar 15 anos e se tornar um dos skatistas profissionais mais jovens da história. Em 2010, ele conquistou a medalha de ouro na modalidade park dos X-Games, as Olimpíadas dos esportes radicais. Hoje, o catarinense é bicampeão do circuito mundial de bowl, a sua especialidade, e apontado como o sucessor de Sandro Dias e Bob Burnquist no vertical.
- Devo tudo ao meu pai. Ele sempre esteve ao meu lado. Sem ele, eu não estaria aqui, vivendo esse momento na minha carreira - agradeceu Pedro.
Andre acompanha o filho único em todas as viagens, enquanto a mãe, Larissa, fica tomando conta da casa. A última delas foi para a Oceania, de onde Pedro voltou com três títulos do mundial de bowl na bagagem. O primeiro foi na Nova Zelândia e os outros dois, em Manly e em Bondi, praias da cidade de Sydney, na Austrália, famosas para a pratica do surfe, a outra paixão dos Barros.
- Antes de o Pedro nascer, eu sempre viajava para pegar onda. Agora nós somos parceiros de surfe. Sempre levamos nossas pranchas para os lugares com praia que ele compete e aproveitamos para surfar também - disse Andre.

andré pedro barros surfe (Foto: Arquivo Pessoal)Pedro e André caminham nas areias do Peru. Ao lado, pai (topo) e filho radicalizam nas ondas da Nicarágua
(Foto: Arquivo Pessoal)
 
A história dos Barros é semelhante a da família de outra jovem realidade do esporte brasileiro: Gabriel Medina, de 18 anos, o maior nome do surfe nacional na atualidade. Assim como Andre e Pedro, Medina vive uma relação de parceria com o padrasto, Charles, que treina e o acompanha em todas as etapas do circuito mundial desde o início da carreira.

pedro barros oi vert jam (Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)Pedro foi o melhor nas eliminatórias do Rio Vert Jam
(Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)
 
- Apesar de nós ainda não os conhecermos pessoalmente, o Pedro e o Gabriel se respeitam muito e conversam pelo Twitter. Existe essa afinidade. Tenho certeza que logo esse encontro vai acontecer. Quem sabe a gente não marca de andar de skate e depois pegar umas ondas? - brincou Andre.
Neste sábado, Pedro e Andre estarão no Posto 3 da praia da Barra da Tijuca, mas não para surfar. O catarinense e outros 19 craques das quatro rodinhas vão brigar por nove vagas para a final do Rio Vert Jam, na Praça do Ó. O jovem de 16 anos vai encarar nomes consagrados, como Bob Burnquist, Sandro Dias 'Mineirinho', Andy MacDonald, entre outros, na primeira competição do circuito mundial de vertical, em 2012.
O SpoTV transmite ao vivo as semifinais do evento, a partir das 13h40, e a TV Globo, a decisão, dentro do Esporte Espetacular, no domingo.